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5. Conflito homem-animal – Temas

Jorge Calvimontes Ugarte, Miriam Marmontel

Percepções, conflitos e uso das espécies carismáticas (Panthera Onca, Lontra Longicaudis, Pteronura Brasiliensis, Inia Geoffrensis, Sotalia Fluviatilis, Melanosuchus Niger, Caiman Crocodilus, Arapaima Gigas, Harpya Harpyja E Trichechus Inunguis) pelos moradores da RDS Amanã, Brasil

Resumo:
Entre agosto e novembro de 2004 foi realizado, num total de 15 comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, um levantamento das percepções, usos e possíveis conflitos entre os moradores e um grupo de espécies que, por gerar empatia no público em geral e por suas relações com as populações locais, foram definidas como as “espécies carismáticas” da Reserva. Foram utilizados dois métodos: entrevistas semi-estruturadas e reuniões comunitárias. Além disto, inúmeros contatos informais foram feitos com os comunitários, os quais forneceram um volume adicional de informações e permitiram a adequação às realidades locais. Ao longo do trabalho de campo foi possível identificar diferentes tipos de relacionamento entre os comunitários e estas espécies, que podem estar em função do uso, tanto histórico como recente; dos conflitos com as atividades econômicas, como pesca ou criação; do medo que os comunitários podem ter de algumas delas, baseados em fatos reais ou em percepções negativas do seu comportamento de crenças quase míticas e até do quase desconhecimento ou neutralidade. Uma conclusão importante é o fato dos moradores da Reserva não acreditarem na extinção, porque “o que Deus deixou no mundo nunca acaba”, idéia muito perigosa quando se fala em conservação e manejo. Os dois principais conflitos são os referentes à pescaria, quando algumas espécies aquáticas rasgam as malhadeiras para roubar peixes ou competem pelo recurso, pelo menos desde a percepção dos comunitários. E o medo a serem atacados por animais “atrevidos, perigosos e valentes”, devido ao aumento da população humana e de algumas espécies, que aparentemente estão em um processo de recuperação na área. O conhecimento tradicional que os comunitários têm destas espécies ajuda muito na pesquisa e no manejo futuro, sendo de muita importância seu registro. Embora, também existe certo desconhecimento da biologia de algumas espécies por parte dos comunitários, o que pode ser um perigo ante sua possível recuperação na Reserva. Os costumes de consumo de algumas espécies também precisam ser bem mais compreendidos e manejados na área. Fica claro que é necessário desenvolver campanhas de educação ambiental e trabalhos que envolvam os comunitários nas pesquisas para garantir a conservação das espécies.

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