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7. Conservação, uso e manejo de fauna por comunidade

Paulo Cesar Machado Andrade, Midian Salgado Monteiro, Sandra Helena Azevedo, Hugo Ricardo Bezerra Alves, Carlos Dias Almeida Jr

PROGRAMA PÉ-DE-PINCHA, NOVE ANOS DE MANEJO SUSTENTÁVEL COMUNITÁRIO DE QUELÔNIOS NA REGIÃO DO MÉDIO AMAZONAS

Resumo:
O Pé-de-Pincha vem sendo desenvolvido pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) desde 1999, estimulando a conservação de quelônios através de seu manejo participativo. UFAM e IBAMA vêm trabalhando em 86 comunidades do Médio Amazonas e rio Negro, nos municípios de Nhamundá, Parintins, Barreirinha e Barcelos/AM e Terra Santa, Juruti, Faro e Oriximiná /PA. O programa visa o manejo racional e sustentável de quelônios pelas próprias comunidades. Na região foram identificadas 13 espécies de quelônios: Podocnemis expansa, P.unifilis, iaçá P.sextuberculata, P.erytrocephala, Peltocephalus dumerilianus, Rhinoclemmys punctularia, Phrynops nasutus, Kinosternon scorpioides,Geochelone denticulata e G.carbonaria, Chelus fimbriatus, Platemys platycephala e Phrynops spp. De 1999 a 2008, o programa devolveu à natureza 721.589 filhotes de quelônios (74,4% tracajás, Podocnemis unifilis;7,6% tartarugas, P.expansa; 10,9% iaçás, P.sextuberculata; e 7,1% irapucas, P.erythrocephala), provenientes de ninhos manejados, com taxa de eclosão média de 81,97±7,76% contra 54,51±16,27% de ninhos naturais. A temperatura média nos locais de transplante foi igual a 32,55º ±3,17 º C. Os tracajás nasceram pesando 14,89±1,38 g , iaçás 14,26±1,83 g, tartarugas 22,52±1,43g e irapucas, 11,21±2,57 g. Foram capacitados 405 professores das escolas municipais em educação ambiental; realizadas palestras nas escolas e comunidades para mais de 67.606 ouvintes; treinados 101 agentes ambientais voluntários; participaram de cursos de alternativas para geração de renda mais de 1.021 pessoas; e foram instaladas mais de 31 unidades de criação comunitária com 12.963 quelônios (2003- 2007). Desde 2004, entre os filhotes soltos foram marcados 28.303 animais (10% com microchips) para monitoramento através de recaptura(CMR) e estimativa da taxa de sobrevivência e crescimento. Dos filhotes manejados marcados e soltos, o maior índice de recaptura foi do tracajá com 6,19%. A sobrevivência média de tracajás manejados, até 12 meses de idade, foi estimada em 17,765±10,23%. O recrutamento anual de fêmeas nas áreas de reprodução aumentou 37,11±55,83%. O custo médio do filhote, produzido nesse sistema de manejo comunitário é de R$0,71±0,06. Os valores de recrutamento, impossibilitam a extração sustentável de quelônios adultos da natureza. Se aumentarmos o número áreas protegidas atingiríamos um equilíbrio populacional em 13 a 15 anos de proteção. A criação comunitária foi monitorada sendo que os quelônios criados em tanques-rede demonstraram um ganho diário de peso (GDP) superior (0,488±0,202 g/dia) aos de tanques de alvenaria ou fibra (0,18g/dia). A melhor densidade para este sistema foi de 40-65 indivíduos/m3, sendo que a sobrevivência foi de 89,42 ± 10,56 %. A produção total foi de 866 kg/36 meses, com receita líquida estimada em R$1.559/tanque/ano.

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